Mostrar mensagens com a etiqueta Energias Renovaveis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Energias Renovaveis. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de maio de 2008

Renováveis pressionam ecossistemas


Empresários reconhecem que por vezes não sabem muito bem como "objectivar a defesa da biodiversidade nos negócios".
Mário de Carvalho
0:00 Sábado, 31 de Mai de 2008
No Parque Nacional da Peneda Gerês o espaço do carvalhal está a ser ocupado pela acácia aumentando o risco de incêndio
A pressão sobre as áreas protegidas para a instalação de parques eólicos e construção de barragens pode pôr em causa a biodiversidade, ainda existente nesses locais, igualmente ameaçada pela construção de vias rodoviárias.
O alerta foi lançado por Henrique Miguel Pereira, do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Norte, do ICNB-Instituto da Conservação de Natureza e da Biodiversidade, durante o encontro do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável que decorreu em Lisboa.
Segundo Henrique Miguel Pereira, as pressões das "energias renováveis" em zonas naturais, representam um "risco" na preservação desses espaços pois são instaladas, geralmente, no cume das montanhas podendo, inclusive, alterar o sistema de recursos hídricos, provocar erosão e danificar o habitat das espécies.
Relativamente às construções de barragens, Miguel Pereira alertou ainda para o facto de estas infra-estruturas poderem fragmentar habitats e reduzirem os transportes de sedimentos nos rios aumentado a erosão na zona costeira. Recordou que outro dos impactos negativos é a perda de valores paisagísticos dos rios selvagens. E para que não houvesse dúvidas, sobre o que pode estar em risco, apelou aos convidados presentes no encontro, a visitar a região do rio Sabor para observarem "a riqueza natural de um rio ainda selvagem".
O responsável do ICNB destacou igualmente a necessidade de preservar e valorizar a floresta nativa como um dos meios de combate aos incêndios e conservação das espécies. Mais de 45% as espécies de anfíbios, répteis, mamíferos, aves e borboletas estão associados ao ecossistema da floresta.
"O carvalhal e a azinheiro estão a desaparecer, sendo substituídos por pinheiros e eucaliptos", disse Miguel Pereira, ao mostrar um mapa onde as manchas florestais em Portugal, indicam que os carvalhais, uma das características da paisagem nortenha, são agora minoritárias.
Assumindo a defesa do carvalhal, Henrique Miguel Pereira indicou tratar-se de uma árvore resistente aos fogos, enquanto as monoculturas de pinheiro e eucalipto têm um comportamento contrário.
Durante este debate, o presidente do Grupo Portucel/Soporcel, Pedro Queiroz Pereira, afirmou : "Não tenho oleado o discurso de fé em defesa de biodiversidade".
Queiroz Pereira encara a floresta como um ramo de negócio, garantindo que o sector das celuloses, pelo qual é responsável, tem "boas práticas de silvicultura".
Uma avaliação científica internacional do "Millennium Ecosystem Assessment" indica que, nos últimos 50 anos, a actividade humana alterou substancialmente os ecossistemas como nunca foi visto na história da Humanidade. As alterações do uso do solo, provocados pelos fertilizantes, pesticidas, alterações climáticas, a introdução de novas espécies e o desaparecimento de outras, como de insectos, constituem alguns dos elementos de desequilíbrios, em conjunto com o aumento da população e a globalização da economia.
Na sua intervenção, Henrique Montelobo, da Sonae Turismo, afirmou: "Os custos da biodiversidade podem ser esterilizados pelas empresas. Por vezes não se sabe muito bem como objectivar a defesa da biodiversidade nos negócios ainda que esta preocupação esteja cada vez mais presente nos gestores".
Um das sugestões avançadas por Henrique Montelobo foi a da criação de um fundo de compensação para os projectos que possam colocar em causa a Natureza. No fundo, a perda de biodiversidade leva igualmente à perda de benefícios económicos.
No caso da floresta portuguesa, avaliada em mil milhões de euros, a desvalorização dos seus produtos, como a cortiça, ou o aparecimento de doenças ou pragas podem ter impactos negativos em termos ambientais e económicos.
Esta semana, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que o seu governo vai subsidiar a protecção ambiental da floresta com mil milhões de euros. As verbas serão concedidas em duas fases. A primeira em 2009 e a segunda em 2012. Expresso

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Guarda: Câmara instala energias alternativas em Espaço Educativo Florestal

*A Câmara da Guarda vai dotar o Espaço Educativo Florestal - Quinta daMaúnça com energias alternativas, instalando equipamentos que permitamabandonar as energias comuns.Segundo a vereadora Lurdes Saavedra, responsável pelo pelouro doAmbiente, a autarquia deliberou instalar um aerogerador (aproveitamentoda energia do vento) e uma central fotovoltaica (aproveitamento daenergia solar) para produção de energia eléctrica e aquecimento de águassanitárias.Por outro lado, numa parceria com entidades espanholas, a Câmaracandidatou ao programa comunitário Interreg a construção de uma centralde compostagem [conjunto de técnicas aplicadas para controlar adecomposição de materiais orgânicos] que, a ser concretizada,possibilitará o aquecimento de águas sanitárias a partir de resíduosflorestais.Os equipamentos para aproveitamento das energias eólica e solar, ainstalar a breve prazo, servirão dois edifícios recentementerecuperados, num investimento de 267 mil euros, destinados a EspaçoExperimental e Unidade de Alojamento, que deverão funcionar no início dopróximo ano lectivo.A responsável pelo pelouro do ambiente explicou que a antiga "Casa doCaseiro" foi adaptada a Unidade de Alojamento "para receber turmas decrianças em tempo de férias ou aos fins-de-semana".No outro imóvel funcionará o "Espaço Experimental" da Quinta da Maúnça,que ficará equipado com laboratório ambiental e com uma área paratransformação de produtos agrícolas, explicou.*Central de compostagem poderá receber resíduos de todo o concelho*Quanto à candidatura apresentada ao Interreg, com entidades espanholas,no âmbito de um projecto destinado à cooperação e gestão conjunta emmeio ambiente, património e gestão de recursos, uma das vertentes estárelacionada com a construção de uma central de compostagem.Segundo Lurdes Saavedra, está previsto que a central receba "os resíduosflorestais da Quinta da Maúnça, de toda a cidade e, eventualmente, doconcelho".A ideia para construção desta unidade surge "no seguimento da políticade energias limpas" definida pela Câmara da Guarda para o EspaçoEducativo Florestal."Existe a possibilidade de aquecer a água de um dos edifícios destaforma, porque a combustão liberta energia e faz o aquecimento da água",adiantou, dando conta que está a ser feita uma experiência utilizando umbidão "para depois se apostar no aquecimento de água por esta via"."Uma coisa é fazer o aquecimento [da água] através de um bidão, em quepor baixo são colocadas folhas e todo o material biodegradável e alibertação de gases faz aquecer a água, e outra é fazer o aquecimento detoda a água a partir de uma central", referiu.Caso a candidatura seja aprovada, a vereadora do Ambiente refere que éintenção da autarquia mostrar às crianças que visitarão a Quinta daMaúnça "que é possível aquecer água através da compostagem", utilizandoervas ou folhas secas, por exemplo.*Centro de Investigação e Transformação Agro-Florestal*O projecto, que visa rentabilizar os resíduos agro-florestais apareceinserido num plano mais vasto relacionado com a criação de um Centro deInvestigação e Transformação Agro-Florestal, no valor global de 802 mileuros, indicou a autarca.Para além da central, engloba a construção de um edifício onde serácriado um Centro do Conhecimento da Floresta e uma estufa aquecida paraprodução de espécies sensíveis em perigo de extinção.O Centro da Natureza - Quinta da Maúnça, localizado nos arredores dacidade da Guarda, possui hortas de produção biológica, campo dedemonstração de plantas aromáticas e medicinais, edifícios de apoio(espaço para apresentação de audiovisuais e desenvolvimento de acções desensibilização para crianças) viveiro florestal, jardim e parque demerendas.
*Lusa*