Mostrar mensagens com a etiqueta Sobreiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sobreiro. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de junho de 2009

Sobreiro, uma Barreira Contra a Desertificação

Resumo em Português: O relatório O sobreiro, uma barreira contra a desertificação indica que a futura sobrevivência das florestas de sobreiro depende fortemente de uma gestão adequada e que o sobreiro, espécie emblemática da floresta portuguesa, é um instrumento fundamental no combate à desertificação em Portugal, desde que gerido de forma adequada, cabendo-lhe desempenhar um papel decisivo na prevenção da degradação dos solos. As florestas de sobreiro, formando sistemas ecologica e economicamente sustentáveis, funcionam como um importante instrumento de prevenção contra a desertificação. De facto, desde que adequadamente geridos, estes sistemas, geram níveis elevados de biodiversidade (foram identificadas numa área de sobreiro na Serra de Grândola 264 espécies de fungos, 50 musgos, 308 plantas vasculares , 140 insectos, 6 espécies de peixes, 12 anfíbios, 13 répteis, 73 aves e 14 maníferos; rapinas ameaçadas como a Águia de Bonelli e mamíferos como o Lince Ibérico, o felino mais ameaçado do mundo, têm nas florestas de sobreiro o seu habitat de eleição); melhoram a matéria orgânica dos solos (ao retirarem os nutrientes de níveis mais profundos, devolvem-nos ao solo com a queda das folhas, originando solo produtivo); contribuem para a regulação do ciclo hidrológico (ao aumentar os níveis de matéria orgânica dos solos, contribuem para uma melhor retenção de água, facilitam a sua infiltração no solo e diminuem as perdas por escoamento superficial, regulando o ciclo hidrológico) e travam o despovoamento (ao constituirem-se como sistemas agro-florestais economicamente viáveis: extracção da cortiça (500 Euros/ha) pecuária (70 Euros/ha), a caça (15Euros/ha), o mel, as plantas aromáticas e os cogumelos (8 Euros/ha). Se se quiser combater a desertificação é essencial utilizar o sobreiro como espécie prioritária, mantendo a sua mancha de distribuição, mas também a sua densidade, que vem decrescendo nos últimos anos. O aumento da densidade do sobreiro está intimamente relacionada com a gestão adequada e eficiente dos povoamentos. Num cenário, de gestão adequada dos povoamentos de sobreiro, prevê-se que em 2020 os níveis de densidade de 1995 possam ser repostos; apenas 20% dos povoamentos terão menos de 40 árvores por hectare e metade dos povoamentos mais de 80 árvores por hectares; ou seja, a qualidade das florestas de sobreiro aumentará e assim estas terão maiores condições para funcionar como barreira contra a desertificação. Ao contrário, com uma gestão inadequada, os indicadores de densidade dos povoamentos de sobreiro e de área florestal nacional continuarão a regredir, prevendo-se que, em 2020, 40% dos povoamentos tenham menos de 40 árvores por hectare, apenas 15% mais de 80 árvores por hectare e a área florestal regrida 1%/ano. Outra das conclusões do relatório é que a área de distribuição do sobreiro pode expandir-se para Norte, uma medida reactiva num cenário irreversível de alterações climáticas e avanço da desertificação. Neste cenário de expansão do sobreiro e prevendo-se a manutenção da actual taxa nacional de esforço de arborização de 1%/ano, numa estratégia de adaptação da floresta às alterações climáticas, este esforço deverá conduzir em 2020 ao aumento em cerca de 20% da actual área de distribuição do sobreiro, contribuindo para a manutenção da fronteira da desertificação próxima dos limites actuais. A WWF e o CEABN acreditam que a manutenção do sobreiro na mancha de distribuição tradicional a sul do Tejo e a expansão para Norte são as soluções. Pelo contrário, a regressão do sobreiro arrastará a desertificação.
Palavras-chave em Português: sobreiro, Quercus suber, alterações climáticas, desertificação, combate à desertificação, bacia Mediterrânica, Portugal
Link

sexta-feira, 27 de março de 2009

Petição para salvar milhares de Sobreiros.

Do Grupo de Cidadãos para a Defesa da Ribeira de Muge o pedido para assinar esta petição, a qual também vem contestar a localização do novo Estabelecimento Prisional de Lisboa e Vale do Tejo num montado de sobro na charneca ribatejana em Almeirim.

Para ver e assinar petição;
http://www.peticao.com.pt/sobreiros

Colabore com a tentativa de preservação de milhares de sobreiros na Herdade dos Gagos em Paço dos Negros - Almeirim.

Há inúmeros lugares onde um estabelecimento prisional pode ser construído. Não há necessidade de abater milhares de sobreiros em 67Ha.

Assine e divulgue a petição. Todos somos poucos para defender o montado de sobro. A única actividade económica sustentável.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Um ecossistema extraordinário e em equilíbrio

22.12.2008
O sobreiro é uma das mais "extraordinárias árvores do mundo". É esta a descrição feita pela BBC, a televisão pública inglesa, num documentário exibido no Reino Unido no passado dia 9 de Dezembro. O prestigiado programa sobre vida selvagem da cadeia britânica - o Natural World - veio a Portugal descobrir o montado. E descreveu-o como um ecossistema fascinante, "um dos últimos lo-cais da Europa onde a economia local convive harmoniosamente com a natureza".O fascínio tem toda a razão de ser. O sobreiro e o ecossistema onde pontifica, o montado, é um hino ao famoso conceito do desenvolvimento sustentável. Uma árvore que sobrevive em climas inóspitos assegura, com a sua generosidade, os três pila-res fundamentais deste conceito: o desenvolvimento social, económico e ambiental da região. Em perfeito equilíbrio.O seu valor económico é inquestionável: alimenta uma das mais im-portantes indústrias nacionais, dá um contributo de 0,7 por cento para o PIB nacional e a cortiça é responsável por 2,3 por cento das exportações nacionais, alcançando valores, em 2007, de quase 854 milhões de euros.Mas, para além de cortiça, muitas outras actividades dependem deste ecossistema, como a produção de mel e cera, de carvão produzido a partir do material lenhoso, o turismo, a pecuária, a caça e a recolha de cogumelos. Permite ainda a criação de gado, assegurando rendimentos constantes às economias locais, mantendo o tecido social em regiões do interior.Mas é o seu valor ambiental que tem fascinado os estrangeiros. A ponto de a organização internacional World Wildlife Fund se bater há anos pela sua defesa, incentivando os consumidores a continuar a consumir rolhas de cortiça, pois só assim o montado continuará a ter interesse económico para os proprietários.Antes de mais, tem um papel fundamental na protecção do solo, sobretudo em zonas do país com graves problemas de erosão.Sem ele, muitas regiões estariam mais desertificadas. Depois, segundo um estudo de Luís Gil, da Unidade de Tecnologia da Cortiça (INETI), é um importante sequestrador de carbono.Por fim, a biodiversidade. Além do emblemático lince-ibérico, há centenas de espécies que dependem do montado. Por ali pululam lebres, do-ninhas, lobos, genetas, javalis e veados. Pelos céus esvoaçam o falcão--peneireiro, o mocho-galego, o picanço-real, cegonhas-pretas, águias- -imperiais, águias-ibéricas, milhafres, abutres-negros, piscos, tordos, tentilhões, pica-paus e garças-reais, entre muitos outros bichos.E, se mais não houvesse, resta ainda a paisagem que proporciona. Inconfundível, rica em vida, a identidade de um terço do país. A.F

O Alentejo sem sobreiros é um deserto mesmo que as oliveiras os substituam

22.12.2008
No princípio dos anos 70 do século passado a produção de cortiça em Portugal atingia a média das 200 milhões de toneladas por novénio. No período que decorreu entre 1998 e 2006 foram recolhidas cerca de 89 milhões de toneladas.A brutal diferença é reveladora do declínio do montado que está a preocupar, como nunca, os produtores de cortiça que insistem em manter o sobreiro como a árvore mais emblemática da floresta mediterrânica.João Posser de Andrade, um dos fundadores da Confraria do Sobreiro e da Cortiça, associação criada para retirar "todo o interesse mesquinho do sobreiro e da cortiça", há muitos anos que se sente a bradar no deserto de ideias que marca o comportamento dos organismos oficiais, para que deixem a montanha de estudos elaborados ao longo de décadas produzir os seus efeitos."Já estamos cansados da sistemática ladaínha que promete mais investigação sobre as causas da morte do montado", insurge-se este produtor florestal que procura manter preservada a exploração de sobreiros com 660 hectares que possui em Alcácer do Sal. "O problema não está na falta de estudos, mas na sua utilização", prossegue Posser de Andrade, convencido que o sector da cortiça em Portugal está a viver "sob a pressão de uma plutocracia composta por cinco ou seis industriais, que manipula os dados e tem uma grande influência dentro dos ministérios".E ao que é que esta orientação con-duziu? À "monocultura" da rolha que tem condicionado a utilização da cortiça noutras áreas, nomeadamente em algumas tecnologias de ponta. E dá o seu próprio exemplo: "Da minha produção só 15 por cento é que é utilizada no fabrico de rolhas". O resto vai para o fabrico de granulado.O produtor de Alcácer do Sal descreve algumas utilizações alternativas para a cortiça, desde o fabrico da fuselagem e asas de aviões, de barcos de competição e até placas refractárias usadas no escudo térmi-co dos space shuttles. Na Alemanha uma empresa utiliza a cortiça no fabrico de calçado e dá emprego a 5000 pessoas, garante Posser de Andrade.As capacidades isolantes da cortiça são duradouras. Em Inglaterra há moradias que mantêm as paredes exteriores cobertas com cortiça que foi colocada há 150 anos.Outras utilizações haverá para a cortiça, se as investigações sobre as potencialidades que este produto natural fossem uma prioridade, sobretudo a sua componente química, onde alguns dos seus elementos poderiam ser utilizados na indústria farmacêutica. "Infelizmente nada es-tá a ser feito neste sentido", sustenta o produtor de Alcácer do Sal, que tem na sua exploração cerca de 180 mil quilos de cortiça à espera de comprador, depois de ter gasto 50 mil euros para a tirar das árvores.Mesmo assim não desiste de prosseguir na valorização do seu montado. "Este ano estrumei quase 100 hectares com um composto de resíduos sólidos de Setúbal, para equilibrar a vida microbiológica" que suporta o sobreiro, ao mesmo tempo que cobre as clareiras com novas árvores.Posser de Andrade acredita que é na destruição de certos micro-organismos provocada pelas gradagens excessivas e o elevado número de cabeças de gado por hectare que está a resposta para a morte de sobreiros que veio potenciar o aparecimento da Phytophtora cinnamomi, um fungo que ataca as raízes finas do sobreiro, infectando somente tecidos sãos. Como se não bastasse o pesadelo da Phytophtora, o produtor de Alcácer não consegue esconder a sua preocupação com as últimas informações que admitem uma redução de 30 por cento no preço da cortiça em 2009.Uma tão drástica desvalorização do preço da cortiça pode reforçar, ainda mais, a corrida à plantação do olival, uma cultura "de que tenho um medo terrível" pela salinização que causa nos solos, devido à adubação excessiva. Os agricultores, colocados perante tantos constrangimentos no que diz respeito ao montado, não hesitam em trocar um sobreiro por três ou quatro oliveiras. Se esta lógica prevalecer, "deve ser dito que o Alentejo sem sobreiros é um deserto", alerta João Posser de Andrade. Carlos DiasSem sobreiros, o Alentejo não será o mesmo, dizem os produtores. E nada está a ser feito para travar o declínio, acusam.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nova expansão da Zona Industrial do Tortosendo na Covilhã ameaça 3000 sobreiros e Reserva Ecológica Nacional‏

A Câmara Municipal da Covilhã está a promover a expansão da Zona Industrial do Tortosendo próximo da Covilhã, numa 3.ª fase que abrange uma área superior a 83 hectares, maioritariamente integrados na Reserva Ecológica Nacional e também na Reserva Agrícola Nacional, onde em parte da área existe um povoamento de sobreiros com mais de 3000 árvores, algumas das quais centenárias.

Nos termos da alínea a) do n.º 2 do artigo 2º do Decreto Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio, o qual restringe as autorizações para corte ou arranque em povoamentos de sobreiros e azinheiras, só é permitida a conversão de área de povoamento de sobreiros quando seja visada a realização de empreendimentos de imprescindível utilidade pública e quando não existem alternativas de localização, como acontece em parte da área envolvente à ZI do Tortosendo.

Esta excepção deve-se limitar exclusivamente aos “bens colectivos” (estradas, hospitais, escolas, entre outros) e não a áreas para instalação de equipamentos de natureza privada (urbanizações ou loteamentos industriais quando existem alternativas de localização).

Para promover esta nova expansão da Zona Industrial do Tortosendo, a Câmara Municipal da Covilhã efectuou a proposta de suspensão parcial do Plano Director Municipal – 3.ª fase, na reunião do executivo do passado dia 15 de Fevereiro de 2008, para contornar a regulamentação em vigor no PDM.

Apesar da Câmara Municipal da Covilhã ter emitido o Edital n.º 248/2008 em 7 de Fevereiro de 2008 para aprovação da revisão do Plano de Pormenor da Zona Industrial do Tortosendo, alertamos para a necessidade de salvaguardar as condicionantes ambientais de ordenamento do território.

A Quercus exige Avaliação de Impacte Ambiental e salvaguarda dos sobreiros

De acordo com a legislação o projecto em causa carece de Avaliação de Impacte Ambiental dado a expansão do parque industrial ter mais de 10 hectares. Esta avaliação é essencial para o devido planeamento do território, sendo ainda importante encontrar alternativas à área onde existe o povoamento de sobreiros.
Entretanto, dado que não existe, nem pode existir uma declaração de imprescindível utilidade pública, esperamos que esta pretensão de abate de sobreiros seja negada pela Autoridade Florestal Nacional.


Lisboa, 13 de Outubro de 2008

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Para mais informações contactar: Hélder Spínola 937 788 471 ou Domingos Patacho: 937 515 218

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sessão de divulgação do projecto “Importância do controlo genético na sustentabilidade dos sistemas florestais e agro-florestais de sobreiro


Esta sessão está a ser organizada no âmbito do projecto “Importância do controlo genético na sustentabilidade dos sistemas florestais e agro-florestais de sobreiro em Portugal” que tem como parceiros o Instituto Superior de Agronomia (ISA); a Escola Superior Agrária de Bragança (ESAB); a Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF); o Instituto Nacional dos Recursos Biológicos (INRB, IP) e a Federação dos Produtores Florestais de Portugal (FPFP).
Será realizada uma visita de campo onde será apresentado o ensaio de proveniências de sobreiro e serão simulados cortes ou podas de formação.
Solicita-se aos participantes que se inscrevam até dia 13 de Junho através do e-mail: rodrigo.fernandes@fpfp.pt e que refiram se necessitam de transporte, uma vez que a zona a visitar é de difícil acesso para viaturas de tracção simples.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Lançamento do Livro


A Euronatura tem o prazer de convidar V. Excelência para o seguinte evento a
ocorrer no dia 2 de Junho, pelas 18h, na Academia das Ciências de Lisboa:

“JOAQUIM VIEIRA NATIVIDADE (1899-1968).
Ciência e Política do Sobreiro e da Cortiça”.
Na sessão de lançamento, será feita a apresentação do respectivo estudo, coordenado
pelo investigador Ignacio Garcia Pereda, seguida do comentário do biólogo Fernando
Catarino e da engenheira Manuela Chaves.
O objectivo principal deste projecto é o de divulgar a vida e a obra do engenheiro português
Joaquim Vieira Natividade. Esta importante figura do panorama científico do Portugal do
século XX foi membro da Academia de Ciências e o cientista principal que trabalhou no
mundo do sobreiro e da cortiça. Além da publicação de uma sua biografia, pretendeu-se
ainda com este projecto preparar um sítio de Internet que divulgue a sua vida e obra,
aproveitando o trabalho da biografia e a parte do espólio que surgiu ao longo da
investigação científica.
Num momento em que a fileira da cortiça esta a sofrer cada vez mais os ataques do sector
das rolhas de plástico, esta figura da elite intelectual portuguesa deve ser justamente
reconhecida. Até agora, não se tem prestado a devida atenção ao teor e impacto das suas
contribuições científicas, nem à parte intelectual humanista que ele também desenvolveu. É
esta falha que se pretende colmatar com este projecto, contribuindo-se simultaneamente
para um melhor conhecimento da realidade científica portuguesa do século XX.
Com esta publicação a Euronatura dá inicio a uma nova colecção “História e Política do
Ambiente e do Território” que pretende contribuir para melhorar o conhecimento nesta área
da história recente portuguesa e, ainda, divulgar novos projectos de investigação.

EURONATURA Centro para o Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentado
Programa de Economia, Sociedade e Ambiente
Rua Passos Manuel, nº130, 7º Andar 1150-260 Lisboa
www.euronatura.pt ignacio.pereda@euronatura.pt,
Telefone (+351) 213868420, (+351) 967297365