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segunda-feira, 21 de março de 2011

Apresentado Programa Voluntariado Jovem para Florestas 2011



O Governo Civil de Setúbal, o Instituto Português da Juventude e a Autoridade Florestal Nacional apresentaram hoje no Barreiro o Programa Voluntariado Jovem para as Florestas 2011, que quer sensibilizar para questões ambientais e vigiar e limpar os espaços verdes. A sessão, que decorreu no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Floresta, decorreu no Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada, onde o governador civil, Manuel Malheiros, destacou a importância da existência de manchas verdes em espaços urbanos.
“A Mata da Machada é um exemplo de uma mata num ambiente urbano e hostil. Os voluntários atuam em especial na prevenção, mas compete aos poderes públicos e privados estimular e desenvolver a floresta”, afirmou.
A vigilância, sensibilização e limpeza são os principais objetivos do Programa Voluntariado Jovem para as Florestas 2011, que em seis anos já envolveu cerca de 40 mil jovens, 1600 projetos e detetou cerca de oito mil incêndios.
“É de realçar o trabalho efetuado em equipa, pois este projeto deve-se ao acreditar. O IPJ está cá para trabalhar em prol de todos, nomeadamente dos jovens”, disse Heliana Vilela, diretora regional do Instituto Português da Juventude.

(continua no diário digital)


Floresta portuguesa "refém" de ciclo de fogo e abandono


21.03.2011
Helena Geraldes

Incêndios e invasão de espécies exóticas tornam as florestas pouco atractivas para quem tem de as plantar novamente, do zero. O abandono dos terrenos é, muitas vezes, a solução. Nas cidades, o cidadão vive na “ilusão" de uma floresta que já não existe, diz a LPN.
No Dia Mundial da Floresta, que hoje se comemora, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) vê “muito poucas” razões para celebrar. “A evolução da floresta em Portugal tem sido no sentido de uma cada vez maior degradação e insustentabilidade”, considera, em comunicado, a mais antiga organização não governamental de Ambiente do país, criada em 1948.

“Há uma parte importante da nossa floresta que arde todos os anos. Muitas vezes, esses terrenos acabam por ficar sem qualquer gestão”, abandonados, lembrou Joaquim Sande Silva, da LPN. “É muito difícil voltar a recuperar estas áreas, fazer nelas algo de útil.” “A ocorrência de incêndios e a falta de incentivos financeiros têm ajudado ao abandono de muitas parcelas de terreno florestal, por parte dos proprietários.”

A associação salienta que o país regista “valores relativos de área queimada, e sobretudo de ignições, muitíssimo elevados” em comparação com os outros países do Sul da Europa. No ano passado, a meta de um máximo de 100 cem mil hectares de área queimada – definidos no Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios – foi ultrapassado. Até Outubro tinham ardido mais de 128 mil hectares.

Além dos incêndios, a gestão das zonas florestais também é hoje alvo de críticas da LPN. As Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) são “pouco mais que figuras decorativas”, com um funcionamento difícil, e o Cadastro das Propriedades Florestais tarda em chegar, acrescenta. A organização nota ainda a ausência do pagamento das externalidades geradas pela floresta.

A Liga junta a esta lista as espécies exóticas, como algumas espécies de acácia, que “formam complexos de combustível altamente susceptíveis ao fogo” e cuja expansão é difícil de travar. O “Estado tem assistido impávido” ao alastrar das áreas de eucalipto, por exemplo. “A situação é tanto mais grave quanto a área de eucaliptal em Portugal é já superior à de qualquer outro tipo de floresta”. Segundo Joaquim Sande Silva, esta situação é “fruto de décadas de políticas de fomento da cultura do eucalipto. Criou-se a procura e, por isso, tem de haver oferta”. Mas ainda assim, “parte da área de eucalipto começa também a ficar abandonada porque os pequenos proprietários não têm recursos nem motivação para reconverter os terrenos que arderam ou no final do seu tempo de exploração”, notou o especialista da Escola Superior Agrária de Coimbra.

“Desta forma parece vislumbrar-se um ciclo de degradação sem fim à vista, perante a passividade e a falta de sensibilidade dos serviços do Estado”, constata a associação. As consequências são para todos: economia, ambiente e sociedade.

Mas este cenário passa longe da ideia de floresta que têm os cidadãos comuns, cada vez mais urbanos. “Há muito pouca informação por parte dos cidadãos relativamente à real situação da floresta em Portugal, o que faz com que a sociedade esteja muito pouco atenta aos problemas existentes”, nota. O cidadão “continua a viver sob a ilusão de uma floresta inexistente em Portugal”.
In Ecosfera


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Seca no Mediterrâneo está a deixar árvores sem folhas


Nicolau Ferreira

A floresta mediterrânica tem menos folhagem de há duas décadas para cá. Um estudo publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que a seca está a deixar as árvores despidas, o que pode pressionar ainda mais os ecossistemas do Mediterrâneo.
A equipa, que reuniu cientistas espanhóis e holandeses, estudou séries meteorológicas entre 1987 e 2007. A análise mostrou que as alterações climáticas provocaram um aumento da frequência e intensidade dos períodos de seca. Isso trouxe consequências para a folhagem da bacia do mediterrâneo.

“Esta situação traduz-se numa diminuição generalizada da copa das árvores de todas as espécies. As plantas têm menos folhas porque têm menos água, ou seja, adaptam-se à quantidade de água que dispõem”, explicou por comunicado Josep Peñuelas, um dos autores do artigo, que é director da Unidade de Ecologia Global da Agência Estatal do Conselho Superior das Investigações Científicas (CSIC), em Espanha.

As observações foram feitas nas matas da Espanha, onde os cientistas observaram uma diminuição do número de folhas de diversas espécies de árvores como a azinheira (Quercus ilex) ou o pinheiro-do-alepo ( Pinus halepensis). A equipa construiu mapas da Espanha ao longo das duas décadas onde há uma sobreposição notável entre a seca e o aumento de perda de folhagem dos indivíduos.

“O que está a acontecer é que as árvores entram em stress”, explicou ao PÚBLICO por telefone o professor e investigador do Instituto Superior de Agronomia João Santos Pereira. Segundo este especialista em floresta mediterrânica, o fenómeno também é observado em Portugal, principalmente “a sul do rio Tejo”, apesar de não haver um estudo a fundo.

Santos Pereira diz que estas árvores tornam-se mais vulneráveis. “Se há ou não recuperação já é uma coisa que varia muito de caso para caso, a nossa observação empírica é que as árvores têm cada vez menos capacidade para recuperar”, explicou, ou seja, acabam por morrer.

Se esta tendência se mantiver, “é natural que haja uma diminuição dos números de árvores”, disse o cientista português. Uma das dúvidas de João Santos Pereira é, se no caso de Portugal a diminuição da folhagem é a seca ou é uma relação entre a seca e o ecossistema onde as espécies vegetais estão integradas.

Bosques assimilam menos CO2
Uma outra conclusão do estudo é a morte de comunidades de insectos e fungos associados às espécies vegetais. “É o caso dos cogumelos que crescem nas raízes das árvores e os insectos predadores e parasitas que se alimentam de tudo isto. As secas podem levar estas comunidades ao colapso por falta de alimento, resultando numa redução drástica na abundância e na diversidade que se prolonga durante anos, uma vez finalizada a seca”, disse em comunicado o investigador Jofre Carnicer, do Centro de Estudos Ecológicos e Evolutivos a Universidade de Groninga, na Holanda, que também participou no estudo. A morte destas espécies, terá impacto em todo o ecossistema.

Este factor vai de encontro às dúvidas de João Santos Pereira. Há comunidades de azinheiras e sobreiros que estão doentes em regiões do Alentejo, por exemplo. Anos antes de parecem doentes, o destino destas árvores já está traçado. “Pode ser que haja doenças que estejam introduzidas há algum tempo mas que ganhem força com o aumento de temperatura”, sugere o investigador.

A perda de folhagem vai diminuir a quantidade de CO2 que as plantas absorvem para realizar a fotossíntese. “Sabe-se que os bosques captam e retêm anualmente cerca de um terço das emissões de CO2 geradas pelas actividades humanas”, explicou Peñuelas.

Este fenómeno, além de entrar nas contas para o efeito de estufa torna “as árvores mais susceptíveis ao stress”, explica o cientista português. Por outro lado, há menos produção de biomassa e florestas menos ricas. Santos Pereira não encontra nenhuma fórmula milagrosa para conseguir contornar este problema além de uma “gestão florestal que tenha em conta estes fenómenos”.

Para o investigador holandês, Jofre Carnicer, “a bacia mediterrânica é uma importante reserva de biodiversidade a nível mundial, os impactos das secas extremas são uma das ameaças mais evidentes para a conservação da biodiversidade desta área”.

In Ecosfera

terça-feira, 13 de abril de 2010

Florestas de mangais: onze espécies entraram na lista vermelha do IUCN


PÚBLICO

Uma em cada seis espécies vegetais das florestas de mangais que crescem na costa dos trópicos está ameaçada. Um relatório novo revela que quarenta por cento das espécies na região da América Central estão ameaçadas.

O artigo foi publicado dia 9 de Abril na revista online PLoS ONE. As 70 espécies que compõem os mangais de todo o mundo foram avaliadas quanto à área de distribuição, perda de habitat e capacidade de propagação. Destas, onze foram consideradas estando vulneráveis, em perigo de extinção ou em perigo crítico de extinção.

O estudo foi dirigido pela Unidade para a Avaliação Global das Espécies Marinhas (GMSA – sigla em inglês). Um grupo que faz parte da Unidade de Avaliação da Biodiversidade, uma iniciativa conjunta entre a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a Conservação Internacional, que recrutou especialistas em mangais para realizar a investigação.

“A perda potencial destas espécies é um sintoma da destruição e da exploração das florestas de mangais”, disse Beth Polidoro, num comunicado de imprensa da IUCN. “Os mangais são um dos habitats tropicais mais importantes, são o suporte para várias espécies, e a sua diminuição pode afectar a biodiversidade terrestre e marinha de uma forma muto mais abrangente”, explicou a primeira autora do artigo, que trabalha na Universidade de Old Dominion, na Virgínia, nos Estados Unidos e faz parte da GMSA.

Para além da região da América Central, o Sudeste asiático é outra zona de muita pressão para estas florestas.

As florestas de mangais crescem na linha costeira das regiões tropicais e sub-tropicais em todo o globo. Estão na fronteira entre um ambiente salino e de água doce, na passagem da zona terrestre para a marinha.

Estas florestas não são ecossistemas ricos em número de espécies, mas cumprem uma série de funções como a protecção da linha costeira da erosão, de tempestades e até de tsunamis. São importantes berçários para muitos animais marinhos. Servem de repositório e de fonte de nutrientes e são um forte sumidouro de carbono.

Estima-se que anualmente o custo do trabalho a nível de ecossistema feito pelos mangais ronde 1,18 mil milhões de euros. Mas este trabalho vai diminuindo à medida que a cobertura vai sendo reduzida de tamanho em todo o mundo devido à desflorestação para utilização da madeira e para ocupação do espaço com viveiros de peixes.

De todas as espécies analisadas a Sonneratia griffithii e a Bruguiera hainesii são as duas mais ameaçadas. A primeira vive na Índia e Sudeste asiático e perdeu 80 por cento do seu habitat nos últimos 60 anos. Da segunda, existem menos de 250 árvores adultas vivas no Sudeste asiático.

In Ecosfera


quinta-feira, 25 de março de 2010

Revisão da Estratégia para a Conservação da Natureza e Biodiversidade só em 2011

Lusa

A revisão da Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade, prevista para 2010, só deverá estar concluída no próximo ano para que sejam tomadas em conta as orientações da cimeira internacional que decorrerá em Outubro.

O secretário de Estado do Ambiente disse hoje à Lusa que “a Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade existe há vários anos e deveria ser revista até 2010”. “Estamos a revê-la e só tencionamos terminar essa revisão em 2011”, avançou, no entanto, Humberto Rosa.

O mundo e a União Europeia redefinem as suas metas de biodiversidade em 2010 e uma peça fundamental para essa tarefa é a cimeira da convenção de diversidade biológica, que se realiza em Outubro. “Parece-nos mais inteligente atrasar um pouco a conclusão da revisão a tempo de ter em conta as orientações da cimeira internacional”, explicou o governante.

Humberto Rosa especificou que a estratégia reúne e sistematiza tudo o que há fazer em biodiversidade em áreas como recuperação de habitats, protecção de espécies protegidas, tal como nas várias políticas sectoriais.

Segundo o secretário de Estado do Ambiente, na Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade, adoptada em 2001, “várias medidas já foram concretizadas, outras estão em concretização e outras terão arrancado menos”. “O facto de se rever não quer dizer que parou tudo”, acrescentou.

A política de conservação da natureza e biodiversidade “tem dado passos significativos”, mas é uma área em que a Europa e o mundo, ainda têm muito a fazer para garantir que conseguem “preservar ou impedir a perda de biodiversidade”, considerou Humberto Rosa. In Ecosfera


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Maior floresta do planeta corre grande perigo

Hoje
Maior floresta do planeta corre grande perigo

A floresta boreal sofre crescente impacto dos humanos, está a arder cada vez mais e a fragmentar-se devido à exploração da madeira

Quem já a viu do ar, lembra-se de uma mancha verde, sempre monótona, que um avião leva horas a atravessar. É a maior floresta do mundo, mas não é a Amazónia: cobre a maior parte da Rússia, do Canadá e da Escandinávia.

Geralmente admite-se que a floresta boreal, praticamente intacta, corre menos perigo do que as florestas tropicais, pressionadas pelas ameaças demográficas humanas. No entanto, esta ideia poderá ter criado um ambiente de falsa confiança. Uma equipa de cientistas acaba de publicar um estudo, na revista Trends in Ecology and Evolution, no qual são identificadas várias ameaças extremas à saúde destas florestas (que guardam um terço do carbono acumulado na Terra).

Os países com floresta boreal estão a proteger pequenas proporções destes territórios da exploração de madeira. Tipicamente, este valor é de apenas 10%; a excepção é a Suécia, que guarda 20% da sua floresta.

A exploração e ocupação humana está em crescimento em todos estes países, com a consequência de aumentar a fragmentação das florestas. Por outro lado, reduz-se o espaço considerado "intacto".

Mas o maior perigo para estas florestas vem dos incêndios, na sua maioria relacionados com actividades humanas. A propagação do fogo é facilitada pelas mudanças climáticas, pois no Verão as temperaturas máximas têm sido cada vez mais elevadas. In DN

sábado, 15 de agosto de 2009

ANEFA reúne com Secretaria de Estado e Presidência da Republica

. Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente manifesta preocupações sobre a falta de sustentabilidade da floresta portuguesa e carência de matéria-prima pondo em causa a economia do país.

. Problemas recentes em consequência do Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP).

. O desinvestimento no sector, a subsídio-dependê

ncia e o ProDeR – Programa de Desenvolvimento Regional tido como a pior versão dos quadros de apoio.

. Direcção da ANEFA alerta para as implicações da aprovação do Código Florestal nesta legislatura.

Nos passados dias 20 de Julho e 4 de Agosto, a ANEFA reuniu com o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Dr. Ascenso Simões, e com o Assessor do Presidente da Republica Eng.º Sevinate Pinto, com o intuito de expor algumas das preocupações para as quais há muito a Associação tem alertado.

A falta de sustentabilidade da floresta portuguesa é no entender da ANEFA uma realidade que mais cedo ou mais tarde comprometerá o futuro do país, e a falta de matéria-prima colocará em causa toda a economia nacional, sendo prova disso os acontecimentos recentes associados ao problema do nemátodo do pinheiro.
Defendendo desde sempre a interligação entre todos os agentes do sector, a ANEFA apontou desde inicio uma falha na estratégia delineada, com um plano de acção para combate ao NMP que não contemplava o envolvimento dos prestadores de serviços, nem considerava a definição de objectivos concretos de erradicação, sendo que um ano passado não há resultados favoráveis demonstrados.

O desinvestimento no sector e a subsídio-dependência, são outros dos aspectos que segundo a ANEFA ajudam a ampliar o problema de sustentabilidade, uma vez que a taxa de corte é muito superior à de arborização. “Desde 2005, que não é implementado nenhum projecto de reflorestação, e os incentivos ao Mundo Rural foram simplesmente esquecidos”, referiu a Direcção da ANEFA.

Nas audiências em que participou, a Associação considerou que a existência de Quadros Comunitários poderia constituir uma das soluções, no entanto o ProDeR – Programa de Desenvolvimento Rural, apresentando-se como a pior versão dos quadros de apoio conhecida até hoje, tem ignorado intervenientes e culminando num sistema fechado, cuja aplicação nada tem a ver com a realidade agrícola e florestal do país. As dificuldades ao nível da implementação, seja na aprovação, como na contratualização dos projectos aprovados, as inúmeras acções contempladas no Programa e as candidaturas afectas a concursos, têm constituído verdadeiros entraves com consequências gravíssimas para todo o sector.
Não obstante, a ANEFA tomou agora conhecimento de que o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I.P., abreviadamente designado IFAP, I.P, organismo denotado como pagador do Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER), não está certificado para realizar a maioria dos pagamentos referentes a aplicações do Quadro Comunitário, e que no seguimento de auditorias ao IFAP, I.P, foram apresentadas medidas de correcção que não estão a ser executadas.
A Direcção da ANEFA critica estes procedimentos, solicitando aos dirigentes uma tomada de posição de carácter urgente. “Numa altura de crise reconhecida, não compreendemos que o nosso país não consiga aproveitar as ajudas a que tem direito, mesmo havendo por parte dos agricultores e proprietários vontade de o fazer”.

Também a proposta de lei relativa ao Código Florestal mereceu especial destaque nestes encontros, onde a ANEFA demonstrou o seu desagrado por não ter havido uma discussão pública significativa, justificada pela importância da questão, bem como a interveniência diminuta por parte dos representantes do sector, referindo que o documento se traduz num conjunto de leis de carácter penalizador, ao invés da vertente de incentivo que deveria transparecer.
A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente referiu ainda que deverá ser tida em consideração que esta proposta só irá ser regulamentada pelo próximo Governo, pelo que apenas deveria ser aprovada na próxima legislatura.

A par destes problemas, a ANEFA alertou ainda para o facto de estar a ser discutida ao nível da Comunidade Europeia uma Proposta de Regulamento que fixa as obrigações dos operadores que colocam no mercado madeira e produtos de madeira, concretizando mais um entrave ao desenvolvimento do sector. “Preocupa-nos o legado que estamos a deixar às gerações futuras. Sentimos que é da nossa responsabilidade procurar deixar uma floresta, que é um bem de todos, pelo menos tão boa como a que encontrámos, plantada pelos nossos pais.”


--
Joana Saque Faria
Eng.ª Florestal
ANEFA - Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente

Rua dos Arneiros 72 A - C/V A
1500-060 Lisboa
Tel: 214 315 270
Tlm: 916 352 210
Fax: 214 315 271
www.anefa.pt
www.forural.com

domingo, 2 de agosto de 2009

Clipping de 30 de Julho de 2009‏

Clipping de 30-07-09 em http://www.colegio-florestal-sul.net/news.php

- Forestis contra aprovação do novo Código Florestal no fim da legislatura in Ambiente Online

- Ministro do Ambiente: Competitividade deve ser vista como «um conceito regionalmente diferenciado» in Barlavento Online

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Governo autoriza abate de centenas de árvores na zona de expansão do Aeródromo de Ponte de Sor


21.04.2009
Lusa

O Governo autorizou o abate de centenas de árvores num povoamento florestal, localizado na zona de expansão do Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, considerando a medida de "imprescindível utilidade pública".

O despacho, já publicado em Diário da República, foi assinado pelos ministérios da Administração Interna, do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.

A Declaração de Imprescindível Utilidade Pública (DIUP), assinada pelos três ministérios, autoriza a Câmara Municipal de Ponte de Sor a abater 190 sobreiros adultos, 6386 sobreiros jovens, 240 azinheiras adultas e 2482 azinheiras jovens que radicam numa área de 33 hectares.

O município de Ponte de Sor, que, entretanto, já tinha começado a abater árvores, com a contestação da associação ambientalista Quercus, pretende executar com "urgência", naquele povoamento florestal, a obra de construção de uma nova pista com 1495 metros de comprimento e uma torre.

Estas obras têm como objectivo criar condições para que seja sedeada em Ponte de Sor a base principal dos meios aéreos de Protecção Civil, a nível nacional.

No despacho, o Governo tem em consideração "o relevante interesse público, económico e social da ampliação do Aeródromo Municipal, bem como a sua sustentabilidade, uma vez que foi o local escolhido, a nível nacional, pelo Ministério da Administração Interna para ser sedeada a base principal dos meios aéreos de Protecção Civil".

O Governo alega ainda que esta decisão prende-se com a "inexistência de alternativas válidas à sua localização, uma vez que se trata de uma ampliação de uma infra-estrutura existente".

No mesmo despacho, o município de Ponte de Sor fica "condicionado" à aprovação e à implementação do projecto de compensação e respectivo plano de gestação (sobreiros e azinheiras) numa outra área daquele concelho alentejano.

Para o efeito, a autarquia terá que efectuar a respectiva "beneficiação" numa herdade com cerca de 102 hectares, cedida pela Junta de Freguesia de Galveias.

Contactado hoje pela agência Lusa, Nuno Sequeira, responsável do núcleo regional de Portalegre da Quercus, "lamentou" esta decisão.

"Isto é tudo ao contrário. Este despacho deveria ter saído em Outubro, pois, entretanto, a autarquia já abateu sobreiros e azinheiras", observou.

Nuno Sequeira espera, agora, por uma decisão do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, uma vez que a autarquia foi "autuada" por ter, alegadamente, abatido sobreiros e azinheiras sem o respectivo despacho governamental ter sido publicado.

"Houve um acto ilegal que foi praticado (o abate de sobreiros e azinheiras antes do despacho ter sido publicado) e a autarquia foi autuada pelo Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente. Agora esperamos a decisão", declarou.

http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375679

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ministério desconhece plantação compensatória de sobreiros

O Ministério da Agricultura disse desconhecer «oficialmente» a plantação de oito mil sobreiros, como forma de compensação pelo abate de árvores para a construção do Estabelecimento Prisional de Lisboa e Vale do Tejo, em Fazendas de Almeirim.

O Partido Ecologista "Os Verdes" divulgou, esta segunda-feira, a resposta do Ministério da Agricultura a uma questão colocada pelo partido sobre qual o conhecimento da tutela sobre a plantação dos oito mil sobreiros.

Na resposta, a tutela explicou que foi feito um pedido de abate, pela Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, a 11 de Fevereiro, e que a Direcção Regional de Florestas de Lisboa e Vale do Tejo pediu elementos à autarquia, a 23 de Fevereiro.

Quanto à plantação de oito mil sobreiros, o ministério aponta a existência de «procedimentos que estão devidamente regulamentados», mas assume desconhecimento oficial: «Oficialmente não há qualquer pedido / autorização desta acção».

«Só na sua observância essa plantação pode servir o objectivo pretendido», refere o Ministério da Agricultura, acrescentado que a «gradagem» de terreno para a preparação desta replantação e que terá originado a destruição de sobreiros jovens «está em processo, desde 12 de Março de 2009».

Nesse mesmo dia, a Quercus denunciou o «abate ilegal» de sobreiros no local, tendo remetido estas denúncias para a Direcção-Geral de Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, o Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e das Pescas e o Serviço Especial de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR.

Em resposta, o Ministério da Justiça assegurou que «este processo foi esclarecido, a 4 de Dezembro de 2008, a um responsável da Quercus», acrescentando que «a quantidade dos sobreiros a serem substituídos, 1430, foi validada pela Direcção Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo».

«O local onde será construído o novo Estabelecimento Prisional do Vale do Tejo vai ter mais 10860 árvores do que tem actualmente», acrescentou a tutela, sublinhando que esta infra-estrutura será alvo de «um estudo de incidência ambiental, apesar do mesmo não ser obrigatório»

06 ABR 09 às 18:47

TSF

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Floresta em risco Nova Setúbal‏

Nova Setúbal: Quercus interpõe nova providência
cautelar face a abate iminente
Construção de centro comercial e prédios com
"utilidade pública" dada pelos Ministros Sócrates
e Capoulas Santos em período pré-eleitoral
autárquico de 2001 implicam abate de 1331 sobreiros
que actual Governo acabou de autorizar
A Quercus – Associação Nacional de Conservação
da Natureza interpôs na passada segunda-feira,
dia 9 de Fevereiro, uma providência cautelar
junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa
para evitar o abate de, pelo menos, cerca de 1331 sobreiros
cuja autorização para abate acabou de ser
dada pelo actual Governo na área da projectada.
Mega-urbanização denominada Nova Setúbal,
a Sul da Estrada Nacional 10 entre a saída de Setúbal e Vale
da Rosa no sentido Setúbal-Algarve

Mais informação em www.quercus.pt

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Corticeira Amorim inicia processo negocial para despedimento de 193 colaboradores


A Corticeira Amorim vai iniciar, pela primeira vez na sua história, o processo negocial para o despedimento de 193 colaboradores, numa tentativa de adaptar a produção com a procura esperada que deverá recuar como reflexo da actual conjuntura económica, anunciou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).Link

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Alentejo sem sobreiros é um deserto mesmo que as oliveiras os substituam

22.12.2008
No princípio dos anos 70 do século passado a produção de cortiça em Portugal atingia a média das 200 milhões de toneladas por novénio. No período que decorreu entre 1998 e 2006 foram recolhidas cerca de 89 milhões de toneladas.A brutal diferença é reveladora do declínio do montado que está a preocupar, como nunca, os produtores de cortiça que insistem em manter o sobreiro como a árvore mais emblemática da floresta mediterrânica.João Posser de Andrade, um dos fundadores da Confraria do Sobreiro e da Cortiça, associação criada para retirar "todo o interesse mesquinho do sobreiro e da cortiça", há muitos anos que se sente a bradar no deserto de ideias que marca o comportamento dos organismos oficiais, para que deixem a montanha de estudos elaborados ao longo de décadas produzir os seus efeitos."Já estamos cansados da sistemática ladaínha que promete mais investigação sobre as causas da morte do montado", insurge-se este produtor florestal que procura manter preservada a exploração de sobreiros com 660 hectares que possui em Alcácer do Sal. "O problema não está na falta de estudos, mas na sua utilização", prossegue Posser de Andrade, convencido que o sector da cortiça em Portugal está a viver "sob a pressão de uma plutocracia composta por cinco ou seis industriais, que manipula os dados e tem uma grande influência dentro dos ministérios".E ao que é que esta orientação con-duziu? À "monocultura" da rolha que tem condicionado a utilização da cortiça noutras áreas, nomeadamente em algumas tecnologias de ponta. E dá o seu próprio exemplo: "Da minha produção só 15 por cento é que é utilizada no fabrico de rolhas". O resto vai para o fabrico de granulado.O produtor de Alcácer do Sal descreve algumas utilizações alternativas para a cortiça, desde o fabrico da fuselagem e asas de aviões, de barcos de competição e até placas refractárias usadas no escudo térmi-co dos space shuttles. Na Alemanha uma empresa utiliza a cortiça no fabrico de calçado e dá emprego a 5000 pessoas, garante Posser de Andrade.As capacidades isolantes da cortiça são duradouras. Em Inglaterra há moradias que mantêm as paredes exteriores cobertas com cortiça que foi colocada há 150 anos.Outras utilizações haverá para a cortiça, se as investigações sobre as potencialidades que este produto natural fossem uma prioridade, sobretudo a sua componente química, onde alguns dos seus elementos poderiam ser utilizados na indústria farmacêutica. "Infelizmente nada es-tá a ser feito neste sentido", sustenta o produtor de Alcácer do Sal, que tem na sua exploração cerca de 180 mil quilos de cortiça à espera de comprador, depois de ter gasto 50 mil euros para a tirar das árvores.Mesmo assim não desiste de prosseguir na valorização do seu montado. "Este ano estrumei quase 100 hectares com um composto de resíduos sólidos de Setúbal, para equilibrar a vida microbiológica" que suporta o sobreiro, ao mesmo tempo que cobre as clareiras com novas árvores.Posser de Andrade acredita que é na destruição de certos micro-organismos provocada pelas gradagens excessivas e o elevado número de cabeças de gado por hectare que está a resposta para a morte de sobreiros que veio potenciar o aparecimento da Phytophtora cinnamomi, um fungo que ataca as raízes finas do sobreiro, infectando somente tecidos sãos. Como se não bastasse o pesadelo da Phytophtora, o produtor de Alcácer não consegue esconder a sua preocupação com as últimas informações que admitem uma redução de 30 por cento no preço da cortiça em 2009.Uma tão drástica desvalorização do preço da cortiça pode reforçar, ainda mais, a corrida à plantação do olival, uma cultura "de que tenho um medo terrível" pela salinização que causa nos solos, devido à adubação excessiva. Os agricultores, colocados perante tantos constrangimentos no que diz respeito ao montado, não hesitam em trocar um sobreiro por três ou quatro oliveiras. Se esta lógica prevalecer, "deve ser dito que o Alentejo sem sobreiros é um deserto", alerta João Posser de Andrade. Carlos DiasSem sobreiros, o Alentejo não será o mesmo, dizem os produtores. E nada está a ser feito para travar o declínio, acusam.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Projecto Floresta Unida - Noticias em Portugal - Fonte O Publico

“Floresta Unida”
Projecto português quer plantar 400 milhões de árvores no mundo
05.09.2008 - 18h06 Inês Subtil
“Floresta Unida” é o nome de um projecto inovador, com carimbo português que vai lançar um programa de plantação de 400 milhões de árvores até 2030 em todo o mundo.

O mentor e coordenador da ideia, David Lopes, afirma que este é “um projecto de carácter ambiental e que pretende conseguir a maior reflorestação do mundo envolvendo a gestão e protecção das espécies durante 30 anos". David Lopes começou sozinho há quatro anos e “nunca pensou que isto chegasse a esta dimensão”, diz surpreendido.

A verdade é que ao mentor do projecto já se juntaram mais de 35 pessoas em Portugal e no estrangeiro, voluntários e profissionais ligados à floresta. Desde Janeiro de 2007 que a rede se tornou pública e o “Floresta Unida” já está no Chile, Espanha, Itália e pretende chegar também à Grécia e a Moçambique.

David Lopes explica que para tornar o programa viável “a intenção não é criar uma estrutura pesada, queremos ter as pessoas suficientes para o que for necessário, mas o resto é com as empresas privadas que nos queiram apoiar”. Nas palavras do coordenador do projecto, “a ideia é criar responsabilidade nas pessoas e uma preocupação real das comunidades”.

Isto quer dizer, o objectivo do grupo é envolver de forma activa as empresas que os financiam “em pelo menos 60 ou 80 por cento da gestão, manutenção e protecção das novas áreas reflorestadas”, esclarece. O mesmo acontece ao nível das autarquias, que queiram participar, com a organização de visitas e passeios para as populações locais. O programa de reflorestação depende assim, em última análise, da ajuda financeira das empresas nacionais e internacionais que apoiam a iniciativa.

A função do “Floresta Unida” é despertar vontades. O grupo tenta conseguir apoios trabalhando em parceria com as entidades governativas de cada país aderente.

Para Portugal vão 100 milhões

Dentro do projecto-mãe “Floresta Unida” foi criado o programa “O amanhã será sempre verde”, que pretende estimular toda a população a plantar árvores nos locais onde elas são precisas, como áreas atingidas por incêndios ou qualquer outro sítio que se queira tornar mais verde.

Neste âmbito, já foram plantadas em Portugal 30 mil árvores na Lousã e está prevista a plantação de mais 150 mil na Serra da Boa Viagem, na Figueira da Foz. O objectivo é alcançar os 100 milhões em 2030 só para Portugal. O programa prevê ainda a reflorestação de outras 12 áreas no país, como as serras algarvias arrasadas por incêndios em 2003.

David Lopes faz questão de frisar que o “Floresta Unida” segue “todos os critérios e normas nacionais e internacionais” e que quer conseguir auditorias “para conseguir ter a curto ou longo prazo uma certificação para as florestas” que ajudaram plantar.

Será que é possível chegar aos 400 milhões de árvores em pouco mais de duas décadas? O “timing oficial”, esclarece David Lopes, será entre 2010 e 2030: “Estas acções agora servem para mostrar o projecto”. O grupo está a realizar os preparativos e todo o planeamento necessário e, até lá, as árvores que plantam antes vão entrar para a contabilidade final.

Outra novidade do grupo é o baptismo das árvores, “uma ferramenta única em todo o mundo que vai permitir a qualquer voluntário acompanhar, pelo menos a primeira árvore que plantou durante 30 anos”, observa o coordenador do projecto.

Em Portugal, o “Floresta Unida” conta já com o apoio de várias empresas nacionais. Os patrocinadores serão anunciados publicamente durante a abertura das reflorestações previstas para este ano.


Veja toda a noticia em : Jornal O Publico

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Futuro do montado de sobro está na genética

O futuro do montado de sobro e azinho na bacia do Mediterrâneo pode estar dependente da genética. A esta conclusão chegaram investigadores da Universidade de Huelva depois de se terem descoberto árvores que continuam vivas em zonas muito castigadas pela doença, a que se convencionou designar "seca".
Pela primeira vez existe a possibilidade de caracterizar geneticamente as árvores mais resistentes. Esta opção é encarada como um caminho possível para superar as consequências mais nefastas da doença que afecta extensas áreas de montado na Península Ibérica.
A clonagem de árvores saudáveis suscitou grandes expectativas no mundo científico partindo do princípio que a doença provocada pelo organismo patogénico "Phytophthora cinnamomi"é quase impossível de eliminar.
Isto mesmo veio dizer o presidente do Fórum Para a Defesa e Conservação do Montado - Encinal, José Luis García-Palacios, na passada segunda-feira, durante o debate realizado no âmbito das actividades da cooperação transfronteiriça entre o Alentejo, a Extremadura e a Andaluzia, que decorreu na Ovibeja.
Uma das iniciativas em curso na Universidade de Huelva, e que conta com a participação de investigadores espanhóis e portugueses que vão fazer a selecção de azinheiras e sobreiros passa pela selecção de exemplares que apresentem um alto grau de resistência/tolerância ao elemento patogénico Phytophthora cinnamomi.
Este organismo é o principal causador da doença que, ao longo das últimas décadas, matou muitas centenas de milhar de azinheiras e sobreiros em todo o sudoeste da Península Ibérica. 30.04.2008, Carlos Dias, Público

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Governo investe 100 milhões nas florestas

O Governo quer diminuir a área de floresta ardida para menos de 100 mil
hectares já em 2012, de forma a que, seis anos depois, ela se restrinja
a menos de 40 mil hectares. Foi essa a razão que levou o Ministério da
Agricultura a assinar, ontem, no Porto, contratos de colaboração com
sete instituições e a investir 100 milhões de euros em programas que
visem um melhor ordenamento e mais sustentabilidade e protecção às áreas
florestais.

O ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Jaime
Silva, anunciou a publicação, hoje, em "Diário da República", da
abertura de concurso ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico
Nacional para projectos que tenham como objectivo melhorar o ordenamento
e a sustentabilidade da floresta, assim como visem o combate aos incêndios.

"É o início de grandes investimentos para os quais estão destinados 100
milhões de euros a fundo perdido. Temos sete anos para dar o salto
qualitativo", realçou. Assim, o ministro sublinhou a importância da
assinatura de sete contratos de colaboração com outras tantas
instituições, no âmbito do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra
Incêndios.

Por seu turno, o ministro de Estado e da Administração Interna, Rui
Pereira, considerou, mais tarde, em Vila Verde, que Portugal dispõe,
este ano, de um "dispositivo maior" e "mais eficiente" no combate aos
incêndios florestais. O membro do Governo referia-se aos reforço de
meios, logísticos e humanos, nas missões de segurança e protecção civil,
revelando, a propósito, que, em 2008, estão disponíveis, no terreno, 56
meios aéreos, 2300 viaturas e 9600 efectivos.

"Temos hoje uma estrutura que permite uma boa cooperação entre todos os
agentes da área da protecção civil", disse. Rui Pereira enalteceu o
trabalho da Autoridade Nacional da Protecção Civil, que, nos últimos
anos, "tem-se revelado uma estrutura eficaz", através do Comando
Operacional de Socorro e os seus serviços descentralizados pelo país.

Aproveitou o momento para fazer referência à boa cooperação
institucional entre as várias forças na protecção da natureza e
Ambiente, nomeadamente a GNR, PSP, bombeiros e sapadores florestais.

O ministro de Estado e da Administração Interna presidiu, em Vila Verde,
à cerimónia de abertura do Curso de Formação de Combate a Incêndios,
promovido pela INOVINTER (Centro de Formação criado entre o Centro de
Emprego e a CGTP). Uma acção-piloto que arranca com a criação do
sub-pólo de Mós, no concelho vilverdense, cuja formação centra-se na
prevenção ambiental e combate a incêndios.*Duarte Silva* aponta metas

Rui Pereira sublinhou que, em matéria de protecção civil, a formação "é
essencial para vencer o combate dos incêndios florestais".JN

Arganil: Produtores aguardam informações sobre nemátode*

A Associação de Produtores Florestais de Arganil (APFA) vai aguardar que
a Direcção Geral de Recursos Florestais (DGRF) emita editais sobre a
quantidade de pinheiros a abater por causa do nemátode para tomar medidas.

Rui Dinis, presidente da Associação, disse que o «problema é grave», mas
que ainda não há «noção do número de árvores a abater», pelo que há que
informar e explicar a situação aos produtores.

Cerca de 80 produtores reuniram-se quarta-feira na Freguesia de Sarzedo,
numa sessão de esclarecimento promovida por aquela Associação, em que
participaram também os presidentes da Junta de Freguesia e da Câmara de
Arganil, e um representante da Forestis - Associação Florestal de Portugal.

«Promovemos esta reunião para acalmar as pessoas, que ainda não sabem
bem o que se está a passar, e explicar de forma pedagógica a legislação
em vigor e a portaria publicada do Ministério da Agricultura por causa
da doença dos pinheiros», referiu Rui Dinis.

Em comunicado divulgado sexta-feira, o Ministério da Agricultura, do
Desenvolvimento Rural e das Pescas anunciou que «foram detectados
exemplares de pinheiros-bravos infectados» com nemátode em povoamentos
dos Concelhos de Arganil e Lousã, Distrito de Coimbra, o que foi
confirmado através de «análises realizadas em amostras recolhidas».

O presidente da Associação adiantou à Lusa que a Direcção Geral de
Recursos Florestais está no terreno com sete equipas a recolher amostras
em cerca de 400 parcelas de terreno com pinheiros, acrescentando que «só
vão tomar medidas quando souberem a dimensão do problema».

Os produtores de Arganil e Lousã que tenham pinheiros afectados pela
praga do nemátode terão dez dias úteis, após notificação pessoal do
Ministério da Agricultura, para abater as árvores doentes, de acordo com
a portaria do Ministério da Agricultura.

«Queremos estar ao lado dos produtores, pois estamos numa zona de
minifúndio, com pessoas envelhecidas e com fracos recursos económicos»,
sublinhou Rui Dinis, referindo que a Associação a que preside «pretende
ajudar na resolução do problema».

O abate e remoção das árvores infectadas é da responsabilidade dos
proprietários, usufrutuários e rendeiros mas, se tal não se verificar, o
Estado encarrega-se do corte.

Diário Digital / Lusa

24-04-2008 6:59:00

terça-feira, 22 de abril de 2008

Eucaliptos e pinheiros dispararam no último século

Foi publicada no Diário de Notícias de ontem - 21 Abril 08 - a reportagem que segue abaixo, no âmbito de uma série de trabalhos jornalísticos realizados pelo DN a pretexto do Dia Mundial da Terra. CÉU NEVES A área florestal passou de 1,9 milhões de hectares no século XIX para 3,5 milhões no século XX. É demasiado? Há quem defenda que sim e que o facto se deve a uma má avaliação da capacidade do solo nacional para uso agrícola. Mas está em minoria. Ambientalistas, produtores, industriais e peritos discordam, argumentando que o que falta é uma gestão da floresta nacional. O último Inventário Florestal Nacional (2005/2006) indica 3,412 milhões de hectares ocupados por espécies florestais, mais 300 mil hectares do que o terreno agrícola. A chamada floresta representa 38% do território, enquanto a agricultura se fica pelos 34%. A situação era diferente no início do século XX, além de que se passou a investir em eucaliptos, o que é mais rentável. Para o arquitecto Ribeiro Telles, o desinvestimento na agricultura teve por base uma "leitura simplista e directa" da Carta de Capacidade de Uso do Solo (SROA, ver caixa) de 1960. Esta teve como referência o trigo, esquecendo as culturas características da paisagem mediterrânica, como a vinha, o olival e os pomares. E, com o recuo da agricultura, desapareceram as economias agropecuárias de montanha e a população rural migrou. Pedro Ôchoa, engenheiro e professor no Instituto Superior de Agronomia, contrapõe que a Carta SROA deixou de ter sentido quando Portugal entrou para a UE. E a estratégia europeia é definida em termos da produção e do seu valor no mercado. A questão comercial fez com que se alterasse a paisagem portuguesa. O pinheiro-bravo e o eucalipto substituiu o carvalho, o sobreiro, a azinheira, o pinheiro-manso e o castanheiro. Mas é de realçar o aumento da produção de sobreiro registado no último inventário, a par da diminuição da de pinheiro-bravo e de eucalipto com graves problemas sociais, já que as afastou as pessoas das aldeias. Uma das explicações tem a ver com os apoios para o cultivo de árvores autóctones. "Não há floresta a mais porque muitos dos terrenos agrícolas não tinham qualidade, nomeadamente no Alentejo, onde os solos eram pobres e houve uma grande erosão quando se começou a investir no cultivo do trigo (anos 30). Agora, cometeram-se muitos exageros ao plantar eucalipto em todo o lado. O eucalipto não é de cá e, não sendo de cá, não existem as espécies que vivem à sua volta, além de que exige muita água", explica José Paulo Martins, da Quercus. "Portugal investiu em eucaliptos e muitíssimo bem. A necessidade de arborização vem dos finais do século XIX e o eucalipto vem resolver um problema de falta de arborização. Os proprietários viram que havia mercado (o País foi pioneiro na produção da pasta de papel), que as terras tinham um aproveitamento agrícola marginal e a cultura do eucalipto era uma resposta interessante para resolver o problema", argumenta Armando Góis, director-geral da Associação da Indústria Papeleira. Ricardo Jacinto, presidente da Federação dos Produtores Florestais de Portugal, sublinha: "O que faltou foi adaptar o antigo regime de subsistência, onde a floresta oferecia o mato e a resina. Tudo mudou. Temos vastas zonas sem aptidão económica no contexto actual do mercado, mais vocacionado para a produção da madeira e da cortiça. Mas é preciso conciliar com um esforço de gestão dos recursos que as espécies fornecem e que devem valorizar a regulação dos ciclos de águas." A falta de gestão dos espaços florestais é o principal problema levantado por todos os intervenientes, o que, dizem, deve ser fomentado pelo Governo e pelas associações. "A floresta tem de ser gerida de forma competente e segundo a realidade económica, cultural e social. Há um défice de aplicação das técnicas de florestação", diz Ôchoa. Mas a solução passa por contornar a estrutura fundiária nacional, baseada no minifúndio, sobretudo a norte do Tejo, o que dificulta uma intervenção mais global. Mais de 90% das florestas pertencem a privados, a maioria a donos de pequenas parcelas de terreno. Com tal estrutura, é difícil garantir a limpeza das florestas ou o tratamento dos prédios rústicos. O sector "bateu no fundo" em 2003, com o fogo a destruir 425 mil hectares de floresta. Vieram ao de cima os erros e foram accionados planos de prevenção a incêndios. Estes têm vindo a diminuir e, em 2007, arderam 31 mil hectares. Cautelosos, os técnicos alertam que só o futuro dirá qual o real impacto desses planos e se a principal razão dessa redução não terá sido as alterações climatéricas.|