segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Investigadores portugueses criam novo método para datar árvores centenárias


06.02.2011
Teresa Firmino

As oliveiras antigas, basta terem mais de 150 anos, ficam com o tronco oco. Sem a parte mais antiga para contar os anéis de crescimento ou fazer uma datação com carbono 14, André Soares dos Reis, proprietário de uma empresa que vende oliveiras ornamentais, estava a ver-se confrontado com um problema: como garantir aos clientes a idade das oliveiras antigas?
Bateu a várias portas, todos lhe diziam que isso era impossível. Não desistiu e, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) encontrou quem aceitasse o desafio de desenvolver um método de datação de árvores antigas.

Também o engenheiro florestal José Luís Louzada, da UTAD, começou por dar uma resposta negativa a André Soares dos Reis, proprietário da empresa Oliveiras Milenares, no Vimieiro, perto de Arraiolos. Mas a insistência do empresário foi tal que José Luís Louzada acabou por lhe dizer: "Neste momento, não há desenvolvido nenhum método, a não ser que estudemos o problema para ver se conseguimos arranjar um método alternativo. Está disposto a pagar, podendo nunca chegar-se a bons resultados?"

Entre 2007 e 2008, e pagas "algumas dezenas de milhares de euros" pelo empresário, diz José Luís Louzada, estava desenvolvido um método e as oliveiras puderam passar a ter um certificado oficial a atestar a idade.

Como é que o investigador, com outros colegas da UTAD, resolveu o problema dos troncos ocos? "Já que não podíamos contar os anéis ou fazer a datação por carbono 14, fomos encontrar um modelo matemático que relacionasse a dimensão da árvore com a idade. Mas precisávamos de saber quanto tempo esta espécie demora a atingir determinada dimensão."

Para tal, a equipa teve de estudar os padrões de crescimento da oliveira, no clima português, e usou uma abordagem que faz lembrar as matrioskas, as bonecas russas que vão saindo umas de dentro das outras, na questão dos troncos ocos. "Partimos progressivamente de árvores maiores para mais pequenas, que tinham a parte central do tronco intacta, para estudar o crescimento desta espécie. Nessas árvores, já podíamos contar os anéis e sabíamos a sua forma e dimensão."

Com esses dados, fez-se um modelo matemático, que relaciona a idade, para esta espécie, em condições mediterrânicas, com características do tronco como o perímetro e o raio. Ficou então a saber quantos anos têm de passar até uma oliveira atingir certa dimensão. "Depois de termos esta função, sabe-se a idade de qualquer árvore. Basta medi-la e introduzir os dados num programa de computador."

(continua in ecosfera)

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